segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Osório e Dário Cardoso dispensados do Caala


Lateral esquerdo João Vala


As lesões no joelho conseguiram retirar a alegria ao lateral esquerdo João Vala na presente época. Elas tiveram força suficiente para colocá-lo meses no estaleiro, porque duas vezes foi parar à mesa de operações, uma delas em Portugal.Por isso, ontem o atleta desabafou com o Jornal dos Desportos por ver adiada a sua expectativa de mostrar mais serviço com as camisolas do 1º de Agosto e da Selecção Nacional.O esquerdino reafirmou que este ano a sua carreira andou literalmente para trás, porque nunca conseguiu driblar os vários problemas físicos que o perseguiram, como se de uma sombra se tratasse.

Foi mesmo um ano negro para mim, foram muitos azares que me impediram de ser titular na minha equipa, em consequência disso, nunca mais voltei a ser convocado, não esperava que fossem acontecer estas coisas comigo, mas não tinha como impedir nada”, deplorou. Embora admita que os problemas físicos lhe tramaram a vida, o lateral de 27 anos mostra-se esperançado em poder receber uma proposta de renovação do 1ºde Agosto, pois a partir do último dia deste mês expira o seu contrato.

A bola agora está do lado da direcção do clube, tudo depende dela. Há dias chamaram-me para conversar, foi um mero encontro informal porque não me foi apresentada ainda uma proposta de renovação, mas como há vários colegas na mesma situação quero acreditar que dentro de dias isto possa vir a acontecer”, vaticinou.Se lhe for dada a oportunidade de permanecer de rubro-negro ao peito em 2012, o esquerdino João Vala promete dobrar o labor diário nos treinos para recuperar as boas exibições que lhe fizeram entrar pela porta grande no 1º de Agosto.

As lesões estorvaram-me muita coisa, sobretudo este ano, mas já levantei a cabeça porque tenho grandes ambições para o próximo ano. Perspectivo uma temporada em grande, porque se tudo correr bem posso voltar a ser titular, e quem sabe, regressar à selecção nacional porque já lá estive várias vezes e fui bem recebido, deixei lá muita gente que puxava por mim”, garantiu.

A antiguidade de Kumaka em nada impediu a irreverência juvenil de João Vala de conquistar o seu espaço no onze do 1º de Agosto. O esquerdino admitiu ontem que é o oposto do seu companheiro de posição.
Cada um de nós tem características diferentes, por isso, sempre disse em todas as entrevistas que o Kumaka é um colega e não um adversário. Tenho muito respeito por ele por ser meu mais velho e também mais experiente”, enalteceu.

Ainda assim, ele confessou que sempre se sentiu mais à vontade a trocar impressões com o lateral direito Elísio.Eu converso normalmente com o Kumaka, mas com o Elísio as coisas são completamente diferentes. Nós fomos muito achegados, é um irmão a quem sempre recorro em busca de mais conselhos porque é uma pessoa madura”, enfatizou.Se as lesões não aparecessem para desequilibrar a balança da titularidade, então o nosso interlocutor mostra-se convicto que a luta mano a mano pela faixa esquerda da defesa militar iria dar muita dor de cabeça a Ljubinko Drulovic e a Carlos Manuel, os dois treinadores que orientaram o 1º de Agosto em 2010 e 2011.

Embora tenha conseguido suar a camisola nacional antes mesmo de realizar um certo número de jogos, João Vala garantiu que nunca se considerou superior ao colega de posição, nem mesmo quando as atenções de todos os adeptos e também da crítica desportiva se centralizam mais nele. De modo similar, ele argumentou que o 1º de Agosto sempre teve um “plantel espectacular” no qual os jogadores demonstraram espírito de abnegação. Este é o único motivo por que o esquerdino se mostrou desiludido com os descalabros militares nas duas últimas temporadas.


Infelizmente neste período apenas ganhámos a Supertaça de 2010, porque as coisas nunca aconteceram do jeito como queríamos”, lamentou o esquerdino João Vala, tendo acrescentado que “o futebol é mesmo assim, nem sempre basta ter os melhores jogadores, é também importante ter a sorte para não falhar tantos golos como sucedeu muitas vezes connosco”.

Dez anos depois de ter se estreado no Girabola ao serviço do Petro de Luanda, João Vala confessou ontem a este diário que foi com a camisola do rival 1º de Agosto que recebeu o reconhecimento que há muito esperava.“Em 2010 quando fui contratado consegui pressentir que dei um passo frente na minha vida profissional, foi um marco muito importante porque aconteceram muitas coisas boas em tão pouco tempo”, realçou.

Quando foi abordado pelos militares, o lateral diz ter demorado algum tempo a despertar para a realidade, porque muitas vezes atletas mais consagrados fizeram com que muitas vezes fosse relegado para o banco de suplentes ou até mesmo ficasse fora dos convocados.“Muito sinceramente nunca esperei ver as coisas a acontecer a meu favor. Estava mais a espera de dificuldades, mas felizmente adaptei-me bem e o técnico Drulovic deu-me a oportunidade de ser titular no início da época”, afirmou.Embora se mostre satisfeito por ter suado a camisola dos três grandes do futebol angolano - Petro de Luanda, ASA e 1º de Agosto - João Vala viveu em cada um deles sensações incomparáveis, mas o que mais lhe marcou mesmo foi compartilhar o balneário com jogadores muito experientes.


Aprendi muito com todos eles. Foram momentos maravilhosos para mim porque me permitiram alcançar vários alvos na carreira, não me posso esquecer disso”, assegurou. Alguns adeptos apontam o dedo ao lateral esquerdo militar por causa da sua forma de estar em campo, diz quem acusa que o jogador se preocupa mais com o estilo do que com a garra.Eu já escutei estes comentários, mas também é bom que as pessoas não se esqueçam que cada atleta tem a sua forma de jogar. O mais importante é que sempre cumpri com as orientações do treinador, nunca deixei de bem a minha parte. O meu estilo sempre foi este, então não tenho como agradar a todos”, argumentou.

A vida de um futebolista é feita de altos e baixos, mas João Vala prefere manter o optimismo, a ter de ficar de semblante descaído por causa das adversidades que o têm perseguido desde o ano passado. Antes eram dores lombares agora são as lesões no joelho.
A carreira de um jogador é feita de oportunidades, então tenho motivos para pensar em atingir outros patamares; sinto que ainda tenho muito para dar ao futebol, vou continuar a perseguir metas pessoais, uma delas, jogar no exterior, demora a se tornar realidade, mas vou atrás das outras, mas apenas se as lesões não voltarem a atrapalhar”, augurou.
in Jornal dos Desportos de 12.12.2011

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