segunda-feira, 22 de Outubro de 2012

Jovens do Huambo aprendem a criar a sua empresa


Centenas de Jovens do Huambo que terminaram o ensino médio e superior, mas não conseguiram arranjar emprego, encontraram no Centro Local de Empreendedorismo e Serviço de Emprego (CLESE) a possibilidade de criarem os seus próprios negócios. Inaugurada a 25 de Agosto, a instituição tem actualmente 100 jovens em formação nos cursos de empreendedorismo, informática e plano de negócios.

Soi Júlio, 29 anos, licenciada em Psicologia, está a frequentar o curso de empreendedorismo e pretende criar um salão de festas e uma sala de estética. “Nesta formação, vim à procura de conhecimentos e experiências, para saber como criar o meu próprio negócio, depois de não ter conseguido um emprego na área que me formei”, explicou. “Nada é fácil sem esforço”, frisou Soi Júlio, para quem o CLESE está a mudar a visão inicial de muitos jovens sobre o empreendedorismo.

Alexandre Chicala, formado em Economia, esclareceu que se inscreveu no Centro para adquirir conhecimentos adicionais que facilitem a sua inserção no mundo dos negócios. Manifestamente contente por ser um dos primeiros formandos a beneficiar da formação, considerou importante que o Executivo construa mais instituições similares noutras províncias, para facilitar o desenvolvimento do país.

Para Mariana Matias, 27 anos, formada em Agronomia, a existência deste Centro na província do Huambo é uma grande oportunidade para os finalistas do ensino médio e superior, por permitir complementar os conhecimentos adquiridos na universidade.

Muitos de nós, licenciados, precisamos de exercitar tudo o que aprendemos na universidade, mas temos de conhecer os princípios, que vão desde a criação até à gestão de uma empresa agrária”, disse, acrescentando que vai dedicar-se à consultoria no ramo da agricultura.

Mariana Matias referiu que a província do Huambo possui muitos camponeses que sabem cultivar a terra, mas desconhecem como se cria uma empresa agrária.É necessário que se criem empresas de consultoria com esse fim, daí a razão da minha aposta neste ramo”, afirmou a engenheira agrónoma.

Público-alvo da formaçãoEdvaldo da Costa explicou que os jovens finalistas dos cursos médios, superiores e licenciados são o público-alvo da instituição que dirige. No acto de inscrição, os candidatos preenchem uma ficha onde anexam os documentos comprovativos sobre a sua formação académica.Nós temos os nossos procedimentos administrativos e os candidatos que procuram os nossos serviços são informados sobre os modelos de acesso”, explicou.

Neste momento, o CLESE no Huambo tem inscritos 800 candidatos para frequentarem o curso de empreendedorismo, mas nem todos vão ter acesso à formação, caso se conclua que os documentos apresentados no acto de inscrição são falsos.

Vamos apurar a veracidade dos documentos para saber se há candidatos que não terminaram a formação académica”, frisou.

O ciclo de formação tem a duração de 60 dias. O candidato começa o ciclo com o curso de empreendedorismo, que tem uma carga horária de 24 horas, depois passa para a formação em Excel, 20 horas, e termina com o curso de elaboração do plano de negócio, que tem a duração de 60 horas.

Acesso ao crédito bancário

Depois de concluírem com êxito a formação e apresentarem um plano de negócio viável, os formandos são encaminhados para o Banco Sol para beneficiarem de crédito bancário. O centro dispõe de áreas de consultoria para empreendedorismo e incubadora de empresas.

Os formandos, depois de concluírem a formação, recebem um kit de ferramentas básicas para começarem a sua actividade e depois são encaminhados para o banco no sentido de receberem o microcrédito”, explicou, realçando que, logo a­pós a recepção do crédito, os formandos instalam-se no mercado com acompanhamento do centro.


Para resolver todas as dificuldades que encontrarem durante a criação das suas empresas podem consultar o centro para lhes dar consultoria”, referiu.


Edvaldo da Costa disse que a instituição que dirige assinou a­cordos de parceria com a reitoria da Universidade José Eduardo dos Santos e com a direcção provincial de Educação do Huambo, que consistem no envio de estudantes e alunos finalistas para o CLESE, para frequentarem o curso de empreendedorismo.Vão ser assinados mais acordos com outras instituições públicas e privadas, para espalhar a cultura de empreendedorismo entre os estudantes”, disse.


Incubadora de empresasO director da Incubadora de Empresas do Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social, Jacinto Domingos, disse que o CLESE vai, num ano, formar e beneficiar cinco mil jovens com valências que vão proporcionar a criação de dez mil postos de trabalho.

Os jovens trabalham sobretudo com tecnologias de informação e de comunicação da última geração. “Isto significa que cada utente vai receber um computador portátil equipado com uma impressora, bateria, painel solar, para que possa recarregar sem necessidade de energia, e um software de gestão de pequenas e médias empresas”, adiantou, sublinhando que a incubadora de empresas vai albergar, em regime interno, cerca de 12 empresas por um período de seis meses.Vamos trabalhar com essas empresas no sentido do seu desenvolvimento e diminuir os factores de mortalidade dessas iniciativas empresariais”, explicou.

Surgimento do CLESE

O CLESE é um projecto do Executivo angolano, tutelado pelo Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social, destinado ao fomento do empreendedorismo no país. Vai contemplar, numa primeira fase, as províncias do Huambo, Benguela, Kwanza-Sul e Uíge. A finalidade é apoiar os cidadãos na superação dos múltiplos desafios para obtenção de emprego digno ou a criação do seu próprio negócio, fornecer consultoria empresarial, apoiar os futuros proprietários de negócios e empresários na tomada de decisões positivas em relação à viabilidade da criação e operação de pequenos negócios, que apoie e fortaleça a comunidade empresarial local e estimule o crescimento económico.
in Jornal de Angola de 22.10.2012

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